quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

A fisiologia do sonho e a significação da realidade

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A persistência da memória - Salvador Dali

"No sono, nosso sistema nervoso é continuamente excitado por múltiplos fatores internos; quase todos os órgãos separam sua atividade, o sangue cumpre sua impetuosa circulação, a posição do dormente comprime certos membros, seus cobertores influenciam as sensações de diversas maneiras, o estômago digere e agita com seus movimentos outros órgãos, os intestinos se contorcem, a posição da cabeça traz consigo inusitadas posturas musculares, os pés, descalços, não se apoiando com suas plantas no chão, causam a impressão do inusitado, o mesmo ocorrendo com o diferente vestuário de todo o corpo -- tudo isto, de acordo com sua mudança, seu grau cotidiano, excita por seu caráter extraordinário todo o sistema até a própria função cerebral; e, assim, há cem motivos para o espírito se surpreender e procurar as razões dessa excitação: mas o sonho é a busca e a representação das causas das sensações assim suscitadas, isto é, as supostas causas. Aquele que, por exemplo, prende seus pés com duas correias pode sonhar que duas cobras se enroscam em seus pés; isso é primeiro uma hipótese, em seguida uma crença, acompanhada por uma representação e uma inversão de forma: 'Essas serpentes devem ser a causa dessa sensação que tenho, eu que durmo', assim julga o espírito daquele que dorme." (Friedrich Nietzsche, Humano, demasiado humano).

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