sábado, 3 de agosto de 2019

Da alma ao corpo -- os últimos cinquenta anos

Zuenir Ventura
"Digamos que, ao contrário de 68, quando as pessoas estavam mais preocupadas com a alma do que com o físico -- melhor dizendo, com o interior do que com a aparência -- , o que predomina hoje são os cuidados corporais, médicos, higiênicos e estéticos: é o culto do corpo. Isso pode ser observado pela mudança no uso de determinados conceitos. Naquela época, Freud estava na moda, ao lado de Marcuse, Mao e Marx. Em certos meios, era difícil conversar sem empregar ou ouvir lugares-comuns psicanalíticos: transferência, repressão, recalque, ato falho, inconsciente, complexo de culpa. A forma de terapia mais recomendada em tempo de coletivismo era a 'análise de grupo'. 'Assumir' -- e não 'malhar' -- era o verbo dessa vulgata. Ele resolvia todas as questões: 'você precisa assumir' -- fosse uma fraqueza, uma culpa, um desejo, uma preferência sexual." (Zuenir Ventura, 1968: o que fizemos de nós).

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