terça-feira, 5 de março de 2019

Surrealismo e deriva

Michael Löwy
"Ora, a experiência da deriva, tal como era pratica pelos surrealistas e situacionistas, é um alegre passeio fora das pesadas coações do reino da Razão instrumental. Como observava Guy Debord, as pessoas que se entregam à deriva 'renunciam, por um período mais ou menos longo, às razões para se deslocar e agir que elas conhecem geralmente (...) para se deixarem levar pelas solicitações do terreno ou dos encontros que a ele correspondem' (Debord, 1956).

De uma forma lúdica e irreverente, a deriva rompe com os princípios mais sacrossantos da modernidade capitalista, com as leis de ferro do utilitarismo e com as regras onipresentes da Zaveckrationalität [razão instrumental]. Ela pode tornar-se, graças às virtudes mágicas de tal ato de ruptura, um passeio encatado no reino da Liberdade, com o acaso como única bússola." (Michael Löwy, A estrela da manhã).

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