segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A incessante busca pelo conhecimento

"Segundo um velho ditado, é melhor viajar com esperança do que chegar ao destino. A busca por descobertas estimula nossa criatividade em todos os campos, não apenas na ciência. Se chegássemos ao fim da linha, o espírito humano feneceria e morreria. Mas acho que nunca vamos ficar estagnados: devemos crescer em complexidade, quando não em profundidade, e seremos sempre o centro de um horizonte de possibilidades em expansão." (Stephen Hawking, O universo numa casca de noz).

domingo, 20 de outubro de 2019

Cultura brasileira e capitalismo

"A cultura brasileira é, em medida considerável, ante e anti capitalista, como costumo dizer. Semelhante afirmativa, talvez exagerada, será fácil de entender e de confirmar se considerarmos que aqui o capitalismo lançou bases firmes praticamente apenas nas regiões que receberam imigrantes já razoavelmente doutrinados em uma cultura capitalista. Foi mais ou menos o caso dos alemães no sul e, de certa maneira, dos italianos em São Paulo. O argumento adquire muito mais força e se torna mais enfático se não nos limitarmos a considerar apenas a faceta europeia de nossa constituição e se trouxermos à cena nossos personagens indígenas e africanos, quase unanimemente adversos à cultura que os vem escravizando e dizimando."(José Carlos Rodrigues, O corpo na história).

sábado, 19 de outubro de 2019

O pudor aquém e além do Atlântico no século XVI

"O pudor que se definia nos dicionários não era um conceito espalhado na sociedade. Enquanto Isabel de Castela, em 1504, morria de uma ferida que não quis mostrar aos médicos, recebendo a extrema-unção sob os cobertores para não exibir nem os pés, muitos moradores da América portuguesa vestiam-se apenas com um minúsculo pedaço de tecido. Descobria-se, então, que existiam povos obedientes a diferentes noções de pudor." (Mary del Priore, História íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil).

Intimidade no início da Era Moderna

Mary del Priore
"A noção de intimidade no mundo dos homens entre os séculos XVI e XVIII se diferencia profundamente daquela que é a nossa no início do século XXI. A vida cotidiana naquela época era regulada por leis imperativas. Fazer sexo, andar nu ou ter relações eróticas eram práticas que correspondiam a ritos estabelecidos pelo grupo no qual se estava inserido. Regras, portanto, regulavam condutas. Leis eram interiorizadas. E o sentimento de coletividade sobrepunha-se ao de individualidade." (Mary del Priore, História íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil).

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A sensibilidade tem uma história

José Carlos Rodrigues
"Nossos sensos estéticos, nossas reações à violência, nosso sentimento de medo, nossos cuidados com saúde, nossas preocupações com higiene, com horários, com exatidão e cálculo, nossas preferências amorosas e sexuais, enfim, coisas que parecem tão familiares e naturais aos nossos olhos, não existiram sempre e têm por trás de si um passado rico em detalhes e em variações. O passado não está apenas no passado: ele construiu nossa sensibilidade e continua de certa forma (...) a ser presente." (José Carlos Rodrigues, O corpo na história).

A sensibilidade como construção social e histórica

José Carlos Rodrigues
"A sensibilidade que temos hoje -- seja auditiva, tátil, gustativa, olfativa, visual -- tem uma história e, especialmente, uma significação." (José Carlos Rodrigues, O corpo na história).

O poder da história

Jacques Le Goff
"A história leva a tudo, com a condição de se entrar nela." (Jacques Le Goff).

terça-feira, 1 de outubro de 2019

O poder ideológico e os intelectuais

Norberto Bobbio
"Embora com nomes diversos, os intelectuais sempre existiram, pois sempre existiu em todas as sociedades, ao lado do poder econômico e do poder político, o poder ideológico, que se exerce não sobre os corpos como o poder político, jamais separado do poder militar, não sobre a posse de bens materiais, dos quais se necessita para viver e sobreviver, como o poder econômico, mas sobre as mentes pela produção e transmissão de ideias, de símbolos, de visões do mundo, de ensinamentos práticos, mediante o uso da palavra (o poder ideológico é extremamente dependente da natureza do homem como animal falante)." (Norberto Bobbio, Os intelectuais e o poder).

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Um caminho para o espírito livre

Friedrich Nietzsche
"Tu devias tornar-te senhor de ti, senhor de tuas próprias virtudes. Antes, elas eram senhoras de ti, mas elas não podem ser senão teus instrumentos ao  lado de outros instrumentos. Devias ter o domínio sobre o teu pró e o teu contra e aprender a arte de agarrá-los e dispensá-los segundo teu objetivo superior do momento. Devias aprender a tomar o elemento de perspectiva que há em toda avaliação -- o deslocamento, a distorção e a aparente teleologia dos horizontes e tudo o que diz respeito à perspectiva; e também a grande parte da ignorância a respeito dos valores opostos e de todas as perdas intelectuais, com as quais cada pró e cada contra se faz pagar." (Friedrich Nietzsche, Humano, demasiado humano).

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

A liberação dos espíritos livres

Friedrich Niezstche
"Entre os homens de uma qualidade elevada e seleta (...) para essa espécie de servos a grande liberação chega de repente, como um terremoto: a jovem alma é de um só golpe sacudida, derrubada, arrancada -- ela própria não entende o que se passa. Um ímpeto e um fevor imperam e se apoderam dela como uma ordem, uma vontade, um desejo desperta para seguir em frente, para onde quer que seja, a qualquer preço; uma violenta e perigosa curiosidade por um mundo desconhecido arde e flameja em todos os seus sentidos. 'Antes morrer que viver aqui' -- assim fala a imperiosa voz da sedução e este 'aqui', este 'em casa' é tudo quanto ela amou até então! Um repentino medo, uma desconfiança em relação a tudo o que ela amava, um lampejo de despreço por aquilo que para ela significava 'dever', um desejo sedicioso, voluntário, impetuoso como um vulcão, de expatriação, de afastamento, de resfriamento, de desengano, de gelificação, um ódio ao amor, talvez um gesto e um olhar sacrílego para trás, para onde ela até então havia orado e amado, talvez um rubor de vergonha pelo que acaba de fazer e ao mesmo tempo um grito de alegria por tê-lo feito, um arrepio de embriaguez e de prazer interior, em que se revela uma vitória -- uma vitória? Sobre quê? Sobre quem? Vitória enigmática, problemática, contestável, mas ainda assim uma primeira vitória: -- aí estão os males e as dores que compõem a história da grande liberação." (Friedrich Niezstche, Humano, demasiado humano).