sábado, 30 de novembro de 2019

O desejo feminino como histeria no Brasil do século XIX

"Acreditava-se que, uma vez conhecedora de atividades sexuais, as mulheres não podiam deixar de exercê-la, como veremos no romance de Aluízio Azevedo, Casa de pensão. Viúva, Nini passa a ter sintomas de histeria. A não satisfação do desejo sexual cobrava um preço alto. A paixão por outros homens que não o marido, ou seja, o adultério, também aparecia aos olhos dos médicos como manifestação histérica. Os remédios eram os mesmos há duzentos anos: banho frio, exercícios, passeios a pé. Em casos extremos, recomendava-se -- pelo menos em tratados médicos -- a ablação do clitóris ou a cauterização da uretra." (Mary Del Priore, Histórias Íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil).

Onanismo no Brasil do século XIX

"Estudos médico-legais vindos da Europa introduziram o tema entre nós. As crianças poderiam transformar-se em cadáveres ambulantes. Ao menino que se masturbava, fazia-se medo com o Mão de Cabelo e outros monstros do folclore. As flores vermelhas do mandacaru, os ocos de bananeira, as simples galinhas ou as ancas largas das vacas, tão úteis na iniciação de jovens de Norte a Sul, passam a ser alvo de perseguições. A masturbação destruía lares, casamentos e famílias. Ela não só fazia mal à saúde como esgotava as forças, prejudicando o trabalho." (Mary Del Priore, Histórias Íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil).

domingo, 24 de novembro de 2019

A verdade do rebanho

“A verdade e a mentira são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde. O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. (…) Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho.” (Friedrich Nietzsche)

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A incessante busca pelo conhecimento

"Segundo um velho ditado, é melhor viajar com esperança do que chegar ao destino. A busca por descobertas estimula nossa criatividade em todos os campos, não apenas na ciência. Se chegássemos ao fim da linha, o espírito humano feneceria e morreria. Mas acho que nunca vamos ficar estagnados: devemos crescer em complexidade, quando não em profundidade, e seremos sempre o centro de um horizonte de possibilidades em expansão." (Stephen Hawking, O universo numa casca de noz).

domingo, 20 de outubro de 2019

Cultura brasileira e capitalismo

"A cultura brasileira é, em medida considerável, ante e anti capitalista, como costumo dizer. Semelhante afirmativa, talvez exagerada, será fácil de entender e de confirmar se considerarmos que aqui o capitalismo lançou bases firmes praticamente apenas nas regiões que receberam imigrantes já razoavelmente doutrinados em uma cultura capitalista. Foi mais ou menos o caso dos alemães no sul e, de certa maneira, dos italianos em São Paulo. O argumento adquire muito mais força e se torna mais enfático se não nos limitarmos a considerar apenas a faceta europeia de nossa constituição e se trouxermos à cena nossos personagens indígenas e africanos, quase unanimemente adversos à cultura que os vem escravizando e dizimando."(José Carlos Rodrigues, O corpo na história).

sábado, 19 de outubro de 2019

O pudor aquém e além do Atlântico no século XVI

"O pudor que se definia nos dicionários não era um conceito espalhado na sociedade. Enquanto Isabel de Castela, em 1504, morria de uma ferida que não quis mostrar aos médicos, recebendo a extrema-unção sob os cobertores para não exibir nem os pés, muitos moradores da América portuguesa vestiam-se apenas com um minúsculo pedaço de tecido. Descobria-se, então, que existiam povos obedientes a diferentes noções de pudor." (Mary del Priore, História íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil).

Intimidade no início da Era Moderna

Mary del Priore
"A noção de intimidade no mundo dos homens entre os séculos XVI e XVIII se diferencia profundamente daquela que é a nossa no início do século XXI. A vida cotidiana naquela época era regulada por leis imperativas. Fazer sexo, andar nu ou ter relações eróticas eram práticas que correspondiam a ritos estabelecidos pelo grupo no qual se estava inserido. Regras, portanto, regulavam condutas. Leis eram interiorizadas. E o sentimento de coletividade sobrepunha-se ao de individualidade." (Mary del Priore, História íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil).

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A sensibilidade tem uma história

José Carlos Rodrigues
"Nossos sensos estéticos, nossas reações à violência, nosso sentimento de medo, nossos cuidados com saúde, nossas preocupações com higiene, com horários, com exatidão e cálculo, nossas preferências amorosas e sexuais, enfim, coisas que parecem tão familiares e naturais aos nossos olhos, não existiram sempre e têm por trás de si um passado rico em detalhes e em variações. O passado não está apenas no passado: ele construiu nossa sensibilidade e continua de certa forma (...) a ser presente." (José Carlos Rodrigues, O corpo na história).

A sensibilidade como construção social e histórica

José Carlos Rodrigues
"A sensibilidade que temos hoje -- seja auditiva, tátil, gustativa, olfativa, visual -- tem uma história e, especialmente, uma significação." (José Carlos Rodrigues, O corpo na história).

O poder da história

Jacques Le Goff
"A história leva a tudo, com a condição de se entrar nela." (Jacques Le Goff).