terça-feira, 3 de outubro de 2017

Ética, modernidade e pós-modernidade

Zygmunt Bauman
"O código ético a toda prova - universal e fundamentado inabalavelmente - nunca vai ser encontrado; tendo outrora chamuscado muitíssimas vezes nossos dedos, sabemos agora o que não sabíamos então ao embarcarmos nessa viagem de exploração: que uma moralidade não aporética e não ambivalente, uma ética que seja universal e 'objetivamente fundamentada', constitui impossibilidade prática; talvez também um axímoron, uma contradição nos termos."
"É a descrença nessa possibilidade que é pós-moderna, 'pós' não no sentido 'cronológico' (não no sentido de deslocar e substituir a modernidade, de nascer só no momento em que a modernidade termina e desaparece, de tornar a visão moderna impossível uma vez chegada ao que  lhe é próprio), mas no sentido de implicar (na forma de conclusão, ou de mera premonição) que os longos e sérios esforços da modernidade foram enganosos, foram empreendidos sob falsas pretensões, e são destinados a terminar - mais cedo ou mais tarde - o seu curso; que em outras palavras, é a própria modernidade que vai demonstrar (se é que ainda não demonstrou), e demonstrar além de qualquer dúvida, sua impossibilidade, a vaidade de suas esperanças e o desperdício de seus trabalhos" (Zygmunt Bauman, Ética pós-moderna).

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