quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A melhor maneira de morrer rico num país capitalista

Andre Comte-Sponville
"A melhor maneira de morrer rico, num país capitalista (mas também era assim, e talvez mais até, num país feudal), ainda é nascer rico" (Andre Comte-Sponville, O capitalismo é moral?).

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O "bom" e o "mau" relativos a quem interessa dizer o que é o bom e o mau


Na condição de leitor incipiente simpatizo com muitos textos de Nietzsche – mesmo tendo tido contato apenas com algumas páginas ou simplesmente excertos de obras suas. É latente sua ânsia por uma libertação do homem de sob tudo o que o menoriza, que suprime seus impulsos e instintos e o submete a narrativas supersticiosas. Entretanto, do alto da mais profunda vala intelectual em que me encontro não posso deixar de me posicionar sobre algumas de suas ideias, por mais atraentes que sejam para muitos indivíduos.

Na Genealogia da moral  Nietzsche[1] apresenta duas origens para os juízos normalmente emitidos para as ideias de “bom” e “ruim”. Enquanto filólogo o autor não deixou de rastrear as origens de noções morais em vez de simplesmente apresentá-las como absolutas – como fazem alguns meus amigos e amigas, presos a superstições. O problema é que o filósofo da Basileia parece ser vítima, em que pesem seus esforços genealógicos, em prescindir da realidade histórica no momento específico em estabelecer suas conclusões sobre as origens dos referidos juízos. Senão vejamos.

Para Nietzsche “toda moral nobre nasce de um triunfante Sim a si mesma”, enquanto que “a moral escrava sempre requer, para nascer, um mundo oposto e exterior, para poder agir em absoluto – sua ação é no fundo reação.” O filósofo ainda acrescenta que o homem nobre, aristocrático, “não reconhece a esfera por ele desprezada, a do homem comum, do povo baixo”, o que impediria que o olhar do tal homem aristocrático falseasse a imagem do desprezado, ao contrário do que este faz ao “seu adversário.” Tal atitude de ressentimento em relação à moral aristocrática, empreendida inicialmente por uma classe sacerdotal, em plena crise dos valores aristocráticos, teria dado lugar à moral dos ressentidos – a moral dos escravos ou do ressentimento.

O que Nietzsche parece ignorar, ao descrever a ausência de preocupação da aristocracia com as qualidades dos oprimidos é que a condição histórica dos vencedores em relação aos derrotados é realmente a instância que favorece aos tais “bem-nascidos”, a besta loura, ignorar as preocupações e anseios dos oprimidos, assim como sua conceituação do que seja a moral.

Os nobres, que conceituam a moralidade diferentemente da conceituação dos ressentidos, o fazem em relação a si mesmos, em referência a sua própria condição de grupo historicamente ileso às investidas dos homens em condições de opressão. Daí que estejam livremente capazes de atribuir conteúdo semântico totalmente isento da relação bom x mau elaborada por aquele que sofre na pele as agruras de sua própria condição.
Se o nobre dá vazão à sua natureza de besta loura, provocando assassínios, violações e torturas sem nenhum tipo de culpa moral, calcados na sua ideia de bondade alheia à situação dos violentados, assassinados e torturados, é natural que os oprimidos se arvorem na inteligência, no ódio entranhado, na vingança como estratégias de superação de sua condição.

Se sua moralidade destoa daquela dos aristocratas, não será uma análise filológica quem deverá dar a palavra final sobre o valor da reação dos ressentidos sobre os nobres – na melhor das hipóteses a análise filológica deverá apresentar uma descrição que justifique uma diferença entre uma moralidade e outra.

Um escravo sempre terá ótimas justificativas, assentadas na própria realidade que o encerra, para elaborar a sua própria ideia de bom e de mau.


[1] Todas as referências a Nietzsche referem-se a obra Genealogia da moral.

A moral do ressentimento

Friedrich Nietzsche
"A rebelião escrava na moral começa quando o próprio ressentimento se torna criador e gera valores: o ressentimento dos series aos quais é negada a verdadeira reação, a dos atos, e que apenas por uma vingança imaginária obtêm reparação. Enquanto toda moral nasce de um triunfante Sim a si mesma, já de início a moral escrava diz Não a um 'fora', um 'outro', um 'não-eu' -- e este Não é seu ato criador. Esta inversão do olhar que estabelece valores  -- este necessário dirigir-se para fora, em vez de voltar-se para si -- é algo próprio do ressentimento: a moral escrava sempre requer, para nascer, um mundo oposto e exterior, para poder agir em absoluto -- sua ação é no fundo reação." (Friedrich Nietzsche, Genealogia da moral).

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O caminho para a empatia

Lynn Hunt
"A empatia requer um salto de fé, de imaginar que alguma outra pessoa é como você" (Lynn Hunt, A invenção dos direitos humanos).

A falta de empatia como fundamento da desigualdade

Lyyn Hunt
"Os direitos humanos dependem tanto do domínio de si mesmo como do reconhecimento de que todos os outros são igualmente senhores de si. É o desenvolvimento incompleto dessa última condição que dá origem a todas as desigualdades de direitos que nos têm preocupado ao longo de toda a história" (Lynn Hunt, A invenção dos direitos humanos).

Verdades autoevidentes

Thomas Jefferson
"Consideramos estas verdades autoevidentes: que todos os homens são criados iguais, dotados pelo seu Criador de certos Direitos inalienáveis, que entre estes estão a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade" (Thomas Jefferson).

A origem da ideia de "bom"

Friedrich Nietzsche
"O juízo 'bom' não provém daqueles aos quais se fez o 'bem'! Foram os 'bons' mesmos, isto é, os nobres, poderosos, superiores em posição e pensamento, que sentiram e estabeleceram a si e a seus atos como bons, ou seja, de primeira ordem, em oposição a tudo que era baixo, de pensamento baixo, e vulgar e plebeu. Desse pathos da distância é que eles tomaram para si o direito criar valores, cunhar nomes para os valores: que lhes importava a utilidade!" (Friedrich Nietzsche, Genealogia da moral).

Nietzsche e a moral da compaixão

Friedrich Nietzsche
"Precisamente nisso enxerguei o grande perigo para a humanidade, sua mais sublime sedução e tentação -- a quê? ao nada? -- ; precisamente nisso enxerguei o começo do fim, o ponto morto, o cansaço que olha para trás, a vontade que se volta contra a vida, a última doença anunciando-se terna e melancólica; eu compreendi a moral da compaixão, cada vez mais se alastrando, capturando e tornando doentes até mesmo os filósofos, como o mais inquietante sintoma dessa nossa inquietante cultura europeia; somo o seu caminho sinuoso em direção a um novo budismo? a um budismo europeu? a um -- niilismo?..." (Friedrich Nietzsche, Genealogia da moral).

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O instinto inato de sociabilidade

Cícero
"A primeira causa de agregação  de uns homens a outros é menos a sua debilidade do que um certo instinto de sociabilidade em todos inato; a espécie humana não nasceu para o isolamento e para a vida errante, mas com uma disposição que, mesmo na abundância de todos os bens, a leva a procurar o apoio comum" (Marco Túlio Cícero, Da República).

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O direito como fenômeno histórico-social

Miguel Reale
"O Direito é um fenômeno histórico-social sempre sujeito a variações e intercorrências, fluxos e refluxos no espaço e no tempo" (Miguel Reale, Lições preliminares de direito).