terça-feira, 15 de maio de 2018

A dinâmica da formação de núcleos urbanos a partir da Revolução Industrial

Friedrich Engels
"O grande estabelecimento industrial demanda muitos operários, que trabalham em conjunto numa mesma edificação; eles devem morar próximos e juntos -- e, por isso, onde surge uma fábrica de médio porte, logo se ergue uma vila. Os operários têm necessidades cuja satisfação depende de outras pessoas, que acorrem à vila: artesãos, alfaiates, sapateiros, padeiros, pedreiros e marceneiros. Os habitantes da vila, especialmente a geração mais jovem, habituam-se ao trabalho fabril, familiarizam-se com ele e quando a primeira fábrica, como é compreensível, já não os pode empregar a todos, os salários caem -- e, em consequência, novos industriais ali se estabelecem. Assim, da vila nasce uma pequena cidade e da pequena, uma grande cidade" (Friedrich Engels, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra).

A Revolução Industrial e a centralização da propriedade

Friedrich Engels
"... a indústria centraliza a propriedade em poucas mãos. Exige enormes capitais, com os quais cria gigantescos estabelecimentos, arruinando a pequena burguesia artesã e, colocando a seu serviço as forças naturais, expulsa do mercado os trabalhadores manuais isolados" (Friedrich Engels, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra).

sábado, 12 de maio de 2018

A dificuldade do cientista social de alienar-se do seu objeto de estudo

Norbert Elias
"A meta geral das buscas científicas é a mesma nos dois campos [natural e social]; é descobrir, despojados de um bom número de crostas filosóficas, de que modo os dados observados se conectam. As ciências sociais, entretanto, diferentemente das naturais, preocupam-se com as associações de pessoas. Aqui, de alguma forma, as pessoas defrontam-se consigo mesmas; os 'objetos' são também os 'sujeitos'. A tarefa dos cientistas sociais é pesquisar e fazer as pessoas entenderem os padrões que formam quando juntas, a natureza e a configuração mutante de tudo que as liga. Os próprios pesquisadores fazem parte desses padrões. Não podem evitar vivenciá-los, diretamente ou por identificação, porque deles participam; e quanto maiores as solicitações e as tensões a que eles e seus grupos estão submetidos, mais difícil lhes é realizar a operação mental que fundamenta todas as buscas científicas: alienar-se do papel de participante imediato e da perspectiva limitada que isso oferece" (Norbert Elias, Envolvimento e alienação).

Sujeito e perspectiva

Norbert Elias
"Apenas bebês e, entre adultos, talvez alguns insanos envolvem tudo aquilo que vivenciam com o completo abandono de seus sentimentos aqui e agora; e, outra vez, só os insanos podem permanecer totalmente desmobilizados diante do que se passa ao seu redor" (Norbert Elias, Envolvimento e alienação).

Tempo e caráter no novo capitalismo

Richard Sennett
"O distanciamento e a cooperatividade superficial são uma blindagem melhor para lidar com as atuais realidades que o comportamento baseado em valores de lealdade e serviço.

É a dimensão do tempo do novo capitalismo -- e não a transmissão de dados high-tech, os mercados de ação globais ou o livre comércio -- que mais diretamente afeta a vida emocional das pessoas fora do local de trabalho. Transposto para a área familiar, 'Não há longo prazo' significa mudar, não se comprometer e não se sacrificar" (Richard Sennett, A corrosão do caráter).

O capital impaciente

Richard Sennett
"... o 'capital impaciente', o desejo de rápido retorno; por exemplo, o período médio de tempo que os investidores seguram suas ações nas bolsas britânicas e americanas caiu 60 por cento nos últimos 15 anos. O mercado acredita que o rápido retorno é mais bem gerado pela rápida mudança institucional" (Richard Sennett, A corrosão do caráter).

O caráter sob o capital impaciente

Richard Sennett
"Caráter são os traços pessoais a que damos valor em nós mesmos, e pelos quais buscamos que os outros nos valorizem.

Como decidimos o que tem valor duradouro em nós numa sociedade impaciente, que se concentra no momento imediato? Como se pode buscar metas de longo prazo numa economia dedicada ao curto prazo? Como se pode manter lealdades e compromissos mútuos em instituições que vivem se desfazendo ou sendo continuamente reprojetadas?" (Richard Sennett, A corrosão do caráter).

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A Revolução Industrial e a formação da classe operária

Friedrich Engels
"As consequências disso [da mecanização do trabalho] foram, por um lado, uma rápida redução dos preços de todas as mercadorias manufaturadas, o florescimento do comércio e da indústria, a conquista de quase todos os mercados estrangeiros não protegidos, o crescimento veloz dos capitais e da riqueza nacional; por outro lado, o crescimento ainda mais rápido do proletariado, a destruição de toda a propriedade e de toda a segurança de trabalho para a classe operária, a degradação moral, as agitações políticas e todos os fatos que tanto repugnam aos ingleses proprietários..." (Friedrich Engels, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra).

Os trabalhadores ingleses antes da Revolução Industrial

Friedrich Engels
"De fato, não eram verdadeiramente seres humanos: eram máquinas de trabalho a serviço dos poucos aristocratas que até então haviam dirigido a história; a revolução industrial apenas levou tudo isso às suas consequências extremas, completando a transformação dos trabalhadores  em puras e simples máquinas e arrancando-lhes das mãos os últimos restos de atividade autônoma -- mas, precisamente por isso, incitando-os a pensar e a exigir uma condição humana" (Friedrich Engels, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra).

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Características das revoluções científicas

Thomas Kuhn
"... a ciência normal com frequência suprime novidades fundamentais, porque estas subvertem necessariamente seus compromissos básicos. (...) Algumas vezes um problema comum, que deveria ser resolvido por meio de regras e procedimentos conhecidos, resiste ao ataque violento e reiterado dos membros mais hábeis do grupo em cuja área de competência ele ocorre. (...) Dessa e de outras maneiras, a ciência normal desorienta-se seguidamente. E quando isso ocorre -- isto é, quando os membros da profissão não podem mais esquivar-se das anomalias que subvertem a tradição existente da prática científica -- , então, começam as investigações extraordinárias que finalmente conduzem a profissão a um novo conjunto de compromissos, a uma nova base para a prática da ciência. Os episódios extraordinários nos quais ocorre essa alteração de compromissos profissionais são denominados, neste ensaio, de revoluções científicas. Elas são os complementos desintegradores da tradição à atividade da ciência normal, ligada à tradição" (Thomas Kuhn, A estrutura das revoluções científicas).