sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Contradições do moralismo contemporâneo

"Quando falo de um 'retorno da moral' ou quando se fala disso na mídia, não quer dizer que as pessoas seriam hoje mais virtuosas do que eram seus pais ou seus avós. É um retorno da moral essencialmente no discurso. Não é que as pessoas sejam, de fato, mais virtuosas; é que, de moral, elas falam mais - e podemos emitir pelo menos a hipótese de que falam tanto mais quanto mais, a bem dizer, falta moral na realidade dos comportamentos humanos... " (Andre Comte-Sponville, O capitalismo é moral?).

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A UDN - da defesa da democracia à apoteose na ditadura

Maria V. M. Benevides
"... a história de um partido [UDN] que nasceu da luta contra uma ditadura [Estado Novo], cresceu apesar de sofridas derrotas - sempre em nome dos ideais liberais de sua inspiração primeira - para finalmente, quase vinte anos depois, surgir vitorioso num esquema de poder instalaria um regime militar de arbítrio, repressivo e autoritário" (Maria Victória de Mesquita Benevides, A UDN e o Udenismo).

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A imortalidade humana segundo o pensamento grego clássico

Hannah Arendt
"Por sua capacidade de feitos imortais, por poderem deixar atrás de si vestígios imorredouros, os homens, a despeito de sua mortalidade individual, atingem o seu próprio tipo de imortalidade e demonstram sua natureza 'divina'. A diferença entre o homem e o animal  aplica-se à própria espécie humana: só os melhores (os aristoi), que constante provam ser os melhores (aristeuein, verbo que não tem equivalente em outra língua) e que 'preferem a fama imortal às coisas mortais', são realmente humanos; os outros, satisfeitos com os prazeres que a natureza lhes oferece, vivem e morrem como animais" (Hannah Arendt, A condição humana).

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Revolução e violência

João Pereira Coutinho
"Quando está em causa a perfeição da humanidade, faz parte do processo revolucionário não questionar a desmesura dos meios e a ferocidade com que eles são aplicados. O prêmio final é demasiado precioso para inspirar condutas de moderação" (João Pereira Coutinho, As ideias conservadoras).

Microfísica do poder versus procedimentos de "consumo"

Michel de Certeau
"Se é verdade que por toda a parte se estende e se precisa a rede da 'vigilância', mais urgente ainda é descobrir como é que uma sociedade inteira não se reduz a ela: que procedimentos populares (também 'minúsculos' e cotidianos) jogam com os mecanismos da disciplina e não se conformam com ela a não ser para alterá-los; enfim, que 'maneiras de fazer' formam a contrapartida, do lado dos consumidores (ou 'dominados'?), dos processos mudos que organizam a ordenação sociopolítica" (Michel de Certeau, A invenção do cotidiano).

O além como negação da vida

Friedrich Nietzsche
"Não há sentido algum em fabular acerca de um 'outro' mundo além deste se não houver um instinto de calúnia, de amesquinhamento, de suspeita em relação à vida nos dominando: nesse caso, nos vingamos dela com a fantasmagoria de uma 'outra' vida, de uma vida 'melhor'" (Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos ídolos).

Supressão dos instintos: a fórmula da decadência

Friedrich Nietzsche
"Ser forçado a combater os instintos - essa é a fórmula da décadence: enquanto a vida ascende, felicidade é sinônimo de instinto" (Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos ídolos).